Dona Inah

Dona Inah
Crédito: Joana Gudin
A trajetória de vida de Dona Inah é típica daquelas histórias que dariam um bom enredo de filme. E com muita música boa. Nascida em Araras-SP, em 17-05-35, Ignez Francisco da Silva, filha de um pistonista do conjunto Boêmios da Cidade, começou logo cedo sua iniciação musical, estudando bandolim por 3 anos. No início da década de 50 mudou-se para Santo André, passou a cantar profissionalmente, participando e ganhando o famoso concurso Peneira Rodini e, a partir de então, teve muitas portas abertas, passando-se a apresentar com várias orquestras, destacando-se as dos maestros Cyro Pereira (da Radio Record), André Beer, Tobias Troise e entre outros. Distante dos holofotes da mídia, entretanto, seu talento começou a ser lapidado unicamente pelo tempo, pela paixão à música e pela longa história de uma vida, tocada de modo simples através da árdua labuta, trabalhando de babá, doméstica e cozinheira, para criar os filhos. Esse afastamento dos palcos durou até o ano de 2002, quando foi convidada pelo produtor Heron Coelho para participar do musical Rainha Quelé, uma homenagem à Clementina de Jesus, atuando ao lado de Marília Medalha e da cantora Fabiana Cozza. A partir daí, a história é conhecida: continuou seu percurso, se apresentando em teatros, e em casas de boa música paulistana ao lado de grandes nomes, como o trombonista Raul de Barros, Dona Ivone Lara, Délcio Carvalho, Quinteto em Branco e Preto, Jair Rodrigues, Elton Medeiros, Eduardo Gudin, Germano Mathias, Maria Rita, Adriana Moreira, João Borba e Monarco, dentre outros bambas do samba. Cabe destacar suas apresentações em Paris, no Festival de l'Imaginaire (evento inscrito no calendário oficial do Ano do Brasil na França onde foi ovacionada pelo público, tendo sido considerada a Rainha do Samba de São Paulo pelo jornal francês Libération), e na capital de Marrocos, Rabat, no Festival Mawazine, onde cantou para um público aproximado de 15.000 pessoas. Entre seus admiradores contumazes, destaca-se o compositor Hermínio Bello de Carvalho, que lhe cedeu sambas inéditos de Ataulfo Alves e Cartola, que foram incluídos no CD Divino Samba Meu, o primeiro de sua carreira, lançado em 2004. Em outubro de 2008, lançou seu segundo CD, Olha Quem Chega, totalmente dedicado à obra de Eduardo Gudin. Para compor esse trabalho, Dona Inah mergulhou fundo no universo musical do compositor paulistano e, com muita sensibilidade, destacou dezesseis dos sambas que mais aprecia, para imprimir-lhes uma personalidade única, marcada por sua voz forte, afinada, afeita ao samba de raiz, e pela magnitude de sua interpretação.